23 de jan de 2012

S.O.S. PINHEIRINHO



A reintegração de posse em São José dos Campos deflagra o método agressivo e unilateral do poder público. Uma situação conflitante como esta, não pode justificar essa truculência. Os moradores do Pinheirinho não são criminosos e deviam ser tratados, - a despeito da irregularidade -, com suas dignidades asseguradas.

Invasões cruéis como esta, devem ser proibidas, pois nenhuma invasão em terrenos desocupados, - e que se faça para fins de moradia, - tal agressividade, pode ser justificada. Todos nós sabemos que, mesmo de modo irregular, há crianças e pessoas do bem, que vêem na invasão uma opção de constituição de lar. Mistura-se gente aproveitadora e gente das mais reais necessidades e misérias nesses enfrentamentos a fim de oferecer um teto às suas famílias.

Ninguém que se encontra inadimplente no banco recebe uma ligação da instituição para receber um ultimato, acompanhado das mais agressivas palavras. O sujeito, mesmo inadimplente, deve ter o seu direito de respeitabilidade garantido. A situação dos moradores de Pinheirinho é a mesma, só que eles foram tratados como pessoas sem qualquer direito, sem qualquer dignidade.

Essas invasões são sintomas de um país que não consegue priorizar o bem-estar de todos. Essas invasões são conseqüências da desigualdade social, da negligência dos políticos e da corrupção que engole o dinheiro do Brasil. O Estado não cumpre com seu papel então o povo se aglutina e encontra uma saída na arbitrariedade e isso se transforma num ciclo inevitável. A culpa dos mais frágeis é a negligência do poder público.

“Ordem e Progresso” deram lugar ao “Caos e Regresso”, num filme de terror que oprime o pobre no Brasil, e de quando em vez, é pincelado na mídia, sem o desdobramento necessário para mudar este quadro. A denúncia vira um filme hollywoodiano, roteirizado pelo Poder e pela Ordem de poucos e para poucos.

Não tente argumentar que esse tipo de povo merece esse tipo de tratamento por invadirem uma área particular. O poder público é quem deve assumir e resolver o problema do proprietário, tanto quanto resolver o problema da precariedade dessas pessoas, onde o direito de moradia é considerado um privilégio.

O Estado transgride e gera seus infratores e por isso, não devem analisar esta problemática isentos de sua negligência geradora, em parte, do problema. Os culpados que se chocam não podem se isentar de seus erros, jogando a culpa no mais fraco, que por sua vez, parece que é o único vilão da história.


Moisés Lourenço

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